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Viagem da Huesa à Tasmânia – de 14 a 19 de Abril 2019

A viagem da Huesa na Tasmânia, o Estado Insular da Austrália, começa em Hobart, na manhã do dia 14 de Abril, com a Cô e um grupo de 44 estudantes. O grupo todo estava muito feliz, positivo e entusiasmado.

Hobart é a capital da Tasmânia e está localizada na costa sudeste da ilha, na base do Monte Wellington, a nossa primeira paragem. A partir do seu cume conseguíamos ter uma visão global da cidade e da linha costeira. Uma vista panorâmica tão bonita – cursos de água, baías, pequenas ilhas, céu azul límpido e muitas áreas verdes. Mas no topo havia mais para ver do que uma vista espetacular: percursos na floresta, rochas interessantes, pássaros, wallabies (pequenos cangurus)… Depois de explorar os arredores, o grupo reuniu-se num sítio agradável, sentado nas rochas, sentindo o vento e o sol enquanto ouvia as palavras da Cô, inspirando-se na energia do local.

Chegou então a hora do almoço e tivemos a oportunidade de visitar Franklin Wharf, um lugar tão agradável. No Mures Lower Deck, existe uma variedade de pratos de peixe e de marisco saudáveis, frescos e deliciosos para todos os gostos. Para além disso, comer com vista para o mar e em boa companhia é sempre agradável.

Depois deste momento agradável em Wharf, voltámos para os carros para fazermo-nos a estrada e conduzir até o nosso próximo destino, Port Arthur, onde iriamos passar as duas primeiras noites. Que surpresa boa quando chegamos ao Stewarts Bay Lodge. Estava localizado no interior duma Floresta, junto a baía, com casas agradáveis e aconchegantes.

Na manhã seguinte, apesar do frio, acordamos cedo e assistimos ao nascer do sol junto ao lago enquanto praticávamos yoga para iluminar corpo e alma, preparando-nos para mais um dia.
O Segundo dia foi para visitar o Local Histórico de Port Arthur – um museu ao ar livre, uma das prisões mais famosas de Austrália, listada como Património Mundial e outrora conhecida como a “prisão inescapável”. Com exuberantes relvados verdes, lindos jardins, e um ar tranquilo, é difícil imaginar Port Arthur como uma prisão violenta que manteve mais de 1,000 condenados no seu auge. As Lendas dizem que “fantasmas assombrosos” ainda causam perturbações lá.
O bom é que já aprendemos no nosso caminho espiritual a não julgar, a ser neutros, e a manter os nossos pensamentos positivos e para além do bem ou do mal. Esta atitude é a única coisa que pode proteger-nos, mantendo-nos seguros e longe das vibrações negativas que podem nos puxar para baixo ou criar más interferências no nosso campo magnético. Com uma intenção pura e uma atitude positiva, podemos sempre irradiar amor, luz e compaixão. Podemos aprender muitas lições de vida e morte; bem e mau; certo e mal. Podemos superar as histórias negativas e seguir em frente com uma atitude positiva perante a vida, sem repetir os mesmos erros e sem continuar e sem continuar a cair no mesmo “buraco”. O nosso grupo da Huesa pôde passar um bom momento, a passear pelos jardins; a atravessar portais, passagens, sendo abençoados pelos sinos a tocar – um “mimo” especial para nós – a desfrutar dum passeio de barco pela baía, subindo pela colina… de novo, e a vista panorâmica era tão bonita… Antes de deixarmos o local fizemos uma boa meditação com a intenção de enviarmos os nossos melhores votos aos reclusos que lá estiveram, aos antepassados e aos guardiões do local e da região.

De tarde, exploramos um pouco mais a área de Port Arthur, indo para Eaglehawk Neck para ver um Pavimento Tesselado. O pavimento tesselado especial encontrado lá, na costa de Pirates Bay, consiste numa plataforma marinha com depressões côncavas, ficando parecido com um mosaico.

O terceiro dia começa e contávamos com mais algumas horas de condução nesse dia. Então nada melhor que começar o dia com Yoga junto ao lago sobre a areia fina e agradável. O nascer do sol foi particularmente especial naquela manhã, preenchendo o céu com diferentes tons de roxo e de rosa, inspirando-nos.

No caminho, a primeira paragem foi Swansea Beach Park, onde nos deparámos com um deslumbrante mar de azuis claros e azuis escuros misturados, areia branca e muitas casinhas de frente para a praia.

Alguns quilómetros mais a frente chegámos ao Parque Nacional Freycinet e começámos uma caminhada até ao miradouro da famosa Wineglass Bay, uma das vistas mais fotografadas da Tasmânia. O Parque Nacional Freycinet está repleto de recursos naturais, incluindo picos de granito cor-de-rosa da Cordilheira dos Hazards, baías encantadoras, praias de areia branca e lagoas cheias de pássaros. Os trilhos de volta do Miradouro para o estacionamento levam-nos por caminhos diferentes, e pudemos explorar mais a área. Tivemos sorte de ter muito tempo para aproveitarmos, para podermos conectarmo-nos melhor com a natureza lá. Algumas paragens aqui e ali para abraçar uma rocha ou uma árvore.

Depois, mais uma hora e meia de Estrada até chegarmos a Scamander. Que noite especial tivemos naquele dia com o jantar maravilhoso que reuniu o grupo todo no melhor espírito de Shambala. O restaurante estava fechado para nós. Algumas mesas grandes, de dez ou mais, nos aproximaram uns dos outros. Tivemos um jantar saudável e leve com peixe assado, vegetais, arroz e batatas fritas como mimo. Simples, mas delicioso. Alguns ficaram para a sobremesa, também muito leve, um creme especial de coco misturado frutas locais.

O dia foi ótimo, então como não dormir bem? Mas não sem antes tirar tempo para agradecer a vida pelo que tínhamos experienciado.

É incrível como a vida nos traz o melhor daquilo que precisamos quando estamos na frequência certa. Na manhã seguinte tivemos o prazer de praticar Yoga num local agradável coberto com relva macia e verde, de frente para o canal. De novo, a água estava presente connosco durante o Yoga e pudemos colocar o nosso tapete de Yoga de frente para o nascer do sol.

O plano para o quarto dia basicamente era conduzir o dia todo. Mas o que há de bom é que o Universo encontra sempre uma forma de nos surpreender.

Depois de muitas horas a conduzir, ainda não nos sentíamos entediados de todo, porque a Tasmânia tem beleza para quer que se olhe. Chegamos a um lugar chamado Cosy Corner South. É um parque de campismo junto duma bela praia na Binalong Bay. E a nossa surpresa estava ali mesmo esperando por nós.

No início, pensávamos que iriamos apenas tirar algumas fotos e dar uma vista de olhos na praia. Então, de repente, quando demos por ela, já estávamos a correr na areia branca como crianças felizes a brincar. E não paramos até chegarmos a um conjunto de interessantes grandes rochas que ficavam na extremidade oeste da praia. Algumas rochas tinham um topo laranja, outras eram tão grandes que o grupo todo caberia facilmente para uma reunião. É hora de sentar e descansar enquanto ouvimos as palavras de sabedoria e inspiração da Cô. A energia do local era muito especial. Em vez duma meditação normal, parecia mais uma bênção. Deixámos o local cheios de amor, luz e gratidão.

Ainda tinhamos algumas horas de viagem a nossa frente até chegarmos ao nosso hotel. A caminho, o inesperado nos atingiu mais uma vez – Lease 65 Aquaculture, em St. Helens.

Lease 65 Aquaculture é um viveiro de Ostras. Eles produzem ostras de qualidade superior em diversos tamanhos. Eles nos receberam muito bem, dando-nos uma visão geral de como as coisas funcionam lá. As ostras são consideradas de qualidade superior graças as condições extraordinárias da água e do ambiente onde crescem. Depois de aprendermos a cerca da produção e a exploração do viveiro, tivemos a oportunidade de provar aquelas ostras especiais no local. Humm… yummy… tão frescas, levas e saborosas! Ostras Premium com limão!

Poucos minutos antes de chegar ao Discovery Parks Lodge, as nossas acomodações para essa noite, tivemos uma iniciação da água na estrada. Fomos apanhados por umas chuvas fortes. Foi uma chegada desafiante uma vez que as acomodações ficavam no interior da Floresta, na base da Cradle Mountain. Foi muito interessante reparar no excelente humor de todo o grupo ao lidar com a situação. Cada casa acomodava de 4 a 6 pessoas, mais uma oportunidade de praticar o espírito de Shambala. Devo dizer que nos saímos muito bem.

A chuva forte continuou a cair durante a noite e pela manhã chovia muito ainda, mas isso nos motivou a sermos mais flexíveis e resilientes e a desfrutar daquilo que temos. É uma excelente oportunidade para praticar o que aprendemos na nossa escola da vida da HUESA. Se não podemos sair para praticar Yoga lá fora, então a nossa pequena casa também está OK. Nós só precisámos de mover os móveis e as malas, para fazer espaço para os 6 tapetes de yoga. Foi divertido. Quando queremos, tudo é possível.

Depois do yoga, ainda não sabíamos se ia ser possível visitar a montanha devido a chuva. Então tomamos um bom pequeno-almoço sem pressas, esperando que a chuva parasse. De imediato, reunimos o grupo e fomos direto para o Centro de turistas que ficava logo do outro lado da rua. Mais uma vez o Universo estava do nosso lado para nos ajudar.

Há tantos passeios, tanto a explorar, Craddle Mountain que oferece minibuses para levar os turistas a determinados pontos. Nós fomos direto para a última paragem, no topo da montanha, onde existe um lindo lago. A ideia era fazer um percurso a volta do lago. E conseguimos! Demorou 2 horas e 30 minutos a alcançarmos o nosso objetivo. Aqui e ali a chuva vinha para nos abençoar. Caminhar a volta do lago foi uma experiência única com um cenário incrível, arco-irises e a forte energia dos Seres da Floresta. Que lugar sagrado! Que aprendizagem! Que presente, passar a manhã inteira lá até descermos a montanha e voltarmos a estrada.

No final do dia, chegámos a Stanley. Ainda não tinha escurecido, e pudemos ver pela primeira vez o imponente monólito junto ao mar, a nossa principal motivação para visitar o local. A vila histórica de Stanley está situada na base do The Nut, vestígios duma antiga agulha vulcânica.

Era Quinta-feira, véspera de Sexta-feira, e ainda tínhamos algumas travessas de ostras deliciosas do Lease 65 que ainda não tínhamos tido a oportunidade de comer. Então juntamo-nos todos no restaurante do hotel para a nossa “última ceia” – uma ótima maneira de passarmos a nossa última noite juntos.

De manhã cedo, como de costume, encontramo-nos para praticar yoga. O espaço não tinha condições para colocarmos os tapetes de yoga, então decidimos praticar os 32 exercícios, a primeira sequência de yoga que aprendemos. Alguns minutos depois de começarmos a praticar, reparamos que todas as ovelhas que estavam ao lado a comer a relva do vizinho pararam de comer e levantaram a cabeça para nos admirar com um olhar engraçado. Não conseguimos resistir. Tivemos de parar e rir por uns instantes.
Antes de deixar a cidade estava na altura de ir visitar The Nut. Um percurso pedestre muito ingreme que conduz ao cume não nos deitou abaixo. Lentamente, começamos a subir a trilha até alcançar o topo. Enquanto estávamos lá encima, tivemos a oportunidade de passear na área toda do monólito. Realmente valia a pena. O sol a nascer, a brisa fresca da manhã, o silencio, e um mar azul-escuro sem fim a nossa frente. Foi um daqueles momentos de profunda gratidão por admirar a beleza da natureza e ouvir as palavras de sabedoria da Cô , que aproveita todas as oportunidades na vida para nos ajudar a iluminar o nosso ser, e acima de tudo a ser plenamente humano.

Esta viagem estava quase a acabar. Os nossos voos iam partir do Aeroporto de Launceston no final da tarde, mas era Sexta-feira Santa, e ainda tínhamos muito para explorar.

Cheios de alegria e energia, o grupo percorreu a cidade de Penguin, uma cidade costeira que ficava a meio caminho de Launceston, até decidirmos parar num parque para fazer uma caminhada. Acabamos encontrando um lugar agradável para um picnic. Passamos um momento maravilhoso no parque, a conversar e a partilhar enquanto estávamos sentados na relva a sombra duma grande, forte e bela arvore. No meu ver pareceu a maneira perfeita de chegar a um fim.

Aproveito para agradecer a Cô pela sua luz, sabedoria e orientação ao longo da nossa jornada, e também agradecer o grupo todo que manteve o bom humor mesmo nos momentos mais desafiantes, com o espírito de união, colaboração, cooperação e partilha. De Hobart no sudeste da ilha, até Launceston, no noroeste, o grupo da Huesa atravessou a Tasmânia com o espírito de Shambala.

Letícia Do Canto Menezes Matheus

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